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Presença de peixe da Amazônia no Rio Araguaia acende alerta entre especialistas: ‘Risco ecológico grande’

Presença de peixe da Amazônia no Rio Araguaia acende alerta entre especialistas A presença do tambaqui no Rio Araguaia está preocupando os especialistas. Or...

Presença de peixe da Amazônia no Rio Araguaia acende alerta entre especialistas: ‘Risco ecológico grande’
Presença de peixe da Amazônia no Rio Araguaia acende alerta entre especialistas: ‘Risco ecológico grande’ (Foto: Reprodução)

Presença de peixe da Amazônia no Rio Araguaia acende alerta entre especialistas A presença do tambaqui no Rio Araguaia está preocupando os especialistas. Originário da Bacia Amazônica, o peixe é considerado um "oportunista" por se alimentar de tudo o que encontra, o que pode desequilibrar o ecossistema local. Ao g1, o biólogo e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Fabrício Teresa, explicou que a rápida proliferação da espécie invasora em águas goianas ameaça a biodiversidade e pode trazer prejuízos econômicos à região no longo prazo. "O risco ecológico tende no longo prazo também trazer riscos econômicos, já que o equilíbrio do ecossistema é o que garante que a gente tenha pesca e um ambiente conservado", afirmou o pesquisador. Fabrício explicou que a presença do peixe é o resultado provável de escapes de pisciculturas da região ocorridos há mais de uma década. Segundo o professor, o rompimento de tanques durante grandes chuvas é a principal causa da invasão. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp O pesquisador explicou que a espécie já está plenamente estabelecida e em fase de reprodução no rio. Ele informou que Estudos recentes confirmaram a presença de grandes populações, além de ovos e larvas, o que descarta a possibilidade de serem registros pontuais ou isolados na bacia. Presença de peixe da Amazônia no Rio Araguaia acende alerta entre especialistas: ‘o risco ecológico é grande’ Reprodução/Instagram Fabricio Teresa "O tambaqui ele tem um hábito oportunista, quer dizer, ele come o que tem disponível. E ele come fruta da época, ele come até peixes, larvas, ele come pequenos organismos chamados zooplâncton, ele come plantas. Por ter esse hábito oportunista, ele pode estar comendo várias espécies nativas", destacou. LEIA TAMBÉM: GIGANTE: Casal de dentistas pesca peixe gigante de 2,24 metros que não pode ser consumido no Rio Araguaia RARO: ‘Peixe do fim do mundo’: Goianos encontram peixe raro na Irlanda PIRAÍBA: Peixes gigantes que não podem ser consumidos: guia exalta ter encontrado piraíba de 2,5 metros pescada no Rio Araguaia: ‘é um troféu’ Comportamento alimentar Um dos principais problemas apontados é o comportamento alimentar do peixe, que consome desde frutas e plantas até larvas e pequenos organismos. Por ser oportunista, ele encontra condições ideais para prosperar, competindo diretamente por recursos com espécies locais, como a caranha. "Como ele é um peixe que fica às vezes nadando contra a corrente, filtrando a água... se ele está comendo zooplâncton, ele deve também comer ovos e larvas de peixes durante a piracema, porque esses ovos e larvas vão descendo o rio", disse. O professor alertou ainda para o risco de hibridização, já que o tambaqui pode cruzar com peixes nativos e gerar descendentes férteis. Esse processo pode causar a deterioração genética de espécies do Araguaia, além de introduzir parasitas para os quais a fauna local não possui defesa. Embora o tambaqui tenha agradado pescadores esportivos pelo vigor na pesca, o especialista reforça que o benefício imediato esconde uma ameaça futura. Ele explicou que o desequilíbrio ecológico pode, a longo prazo, prejudicar a própria atividade econômica e o turismo da região. Para tentar controlar a população, a recomendação atual é que os pescadores realizem o abate e retirem o peixe do ambiente sempre que pescá-lo. O professor ressaltou que a legislação permite essa prática como uma forma de contribuição para conter o avanço da espécie invasora. Tambaqui é o peixe considerado o 'invasor do Araguaia' Arquivo pessoal/Fabricio Teresa ‘Invasor do Araguaia’ Para entender profundamente esses impactos, o professor coordena o projeto multidisciplinar "O Invasor do Araguaia: estudo multidisciplinar dos padrões ecológicos e genéticos do tambaqui”. O estudo analisa a dieta e a reprodução da espécie. O estudo busca detalhar como o peixe interage com o ecossistema para subsidiar estratégias de conservação e manejo. Nas redes sociais, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Biodiversidade e Uso Sustentável de Peixes Neotropicais (INCT Peixes) e o professor Fabrício compartilham vídeos sobre o trabalho de pesquisa do tambaqui no Rio Araguaia. O professor explicou em vídeos que o tambaqui é muito cultivado na aquicultura, e as pessoas gostam de consumi-lo, mas ele não é natural da bacia do Araguaia e pode ameaçar a manutenção de espécies pequenas. “Será que essa espécie, apesar de ser boa pra pescar, não vai fazer a gente pescar menos outras espécies que a gente quer?", destacou Fabricio. Biólogo e professor Fabricio Teresa é coordenador de projeto que estuda a invasão do tambaqui que no Rio Araguaia, Goiás Reprodução/Instagram Fabricio Teresa 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás